sábado, 26 de maio de 2012

BAIXADA EM PERIGO: 40 ANOS DO ACIDENTE DE 1972 NA REDUC

Os principais impactos e conflitos socioambientais presentes na história da Refinaria de Duque de Caxias


     A EDIÇÃO DA BV EM DIA DESTE MÊS apresenta um assunto de grande importância ambiental e econômica para os moradores da Baixada Fluminense. Vamos abordar a presença da REDUC no espaço de Duque de Caxias, que é cercada de conflitos, como a questão dos acidentes ocorridos na refinaria, que geram complicações aos trabalhadores e moradores de seu entorno, assim como para o meio ambiente.


       A REDUC localiza-se no segundo distrito do município de Duque de Caxias / RJ, em Campos Elíseos e foi a primeira refinaria instaurada no Brasil pela Petrobrás, com o objetivo principal de atingir a autossuficiência em produção de derivados do petróleo.
Fonte: Google Earth - Adaptado por RAULINO, SEBASTIÃO

Abaixo temos um vídeo mostrando o funcionamento de uma refinaria de Petróleo:



O impacto do Acidente de 72 para a população de Duque de Caxias

        Em entrevista feita pela BV em Dia,Ubiratan Pereira de Oliveira morador da região de São Bento, nos relata o desespero da população no dia do acidente.

       O acidente aconteceu na parte da noite e o desespero das pessoas era muito grande. Na estrada Av. Kennedy era muita gente chorando, alguns correndo com trouxas de roupas, outros com televisão nas costas, nós descemos a pé porque não tinha mais condução, conforme ia acontecendo às explosões muitas pessoas corriam pra estrada, parecia uma guerra.

A vida controlada por uma válvula

 Construção da REDUC – Fonte: PETROBRAS

       O primeiro acidente ocorreu em 30 de março de 1972, devido a três explosões em tanques de gás liquefeito de petróleo (GLP). Dentro do tanque em que está inserido o GLP há um acúmulo de água, com isso abre-se então uma válvula para a retirada dessa água, tornando-a á fechá-la quando o gás começa a sair, pois o mesmo entra num processo de condensação. No dia do acidente o GLP escapou e acabou congelando, impedindo que a válvula fosse fechada, a tentativa de reverter o problema foi em vão e enquanto a válvula estava aberta, um vigilante transitava pela área fumando, o que Sacabou contribuindo para que o acidente se tornasse ainda pior. De acordo com o trabalho desenvolvido por Pierre Costa apresentado na Revista Geográfica da América Central, o gás atingiu grandes proporções, e as explosões foram de grande amplitude, oficialmente foram registradas 42 mortes e inúmeros prejuízos à população local de Campos Elíseos, pois devido ao enorme calor algumas pessoas acabaram sofrendo queimaduras de até 3º grau. O alcance do acidente foi tão grande que até mesmo algumas vidraças foram quebradas na sede do município de Duque de Caxias, devido à intensidade da explosão.



Destroços da esfera de GLP - Fonte: SINDIPETRO

 

E a onda de acidentes não acaba aí: vazamento de óleo em 2000

      O segundo e maior acidente da história da refinaria ocorreu em 18 de janeiro de 2000, e diz respeito a um duto rompido que levava óleo da REDUC para a ilha d’água. A Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente — FEEMA (órgão de controle ambiental do RJ, sendo em 2008 substituída pelo Instituto Estadual do Ambiente - INEA) registrou um vazamento de pelo menos um milhão de litros de óleo, que se depositaram no fundo da baía de Guanabara.
Óleo em Magé - Fonte: O Dia
      O vazamento atingiu diversas áreas como: manguezais, praias e a APA do município de Guapimirim, além de prejudicar a pesca artesanal que é uma atividade econômica importante para o RJ e de subsistência para diversos pescadores da baia de Guanabara. Nos manguezais os danos também são significativos devido à perda (morte) da vegetação, além do óleo que ainda permanece ocioso a região, ocasionando um enfraquecimento dos seres vivos que ali vivem e se reproduzem.


       Em entrevista a BV EM DIA, Alexandre Anderson líder da Associação dos Homens do Mar (AHOMAR), nos relatou as consequências deste acidente para as comunidades de pescadores artesanais que viviam da pesca na Baía de Guanabara:
Dutos na Baía de Guanabara - Fonte: AHOMAR
            Foi a REDUC que iniciou na verdade esse processo de fim da pesca artesanal na baía de Guanabara, a partir do acidente de 2000 houve um marco de estabilização e de expulsão do pescador da atividade de pesca artesanal na baia de Guanabara. Nós estamos ficando inválidos na pesca artesanal. 
          É importante relatar que a Petrobras não se manifestou em nenhum momento quanto aos danos causados à população do entorno da refinaria, e aos pescadores artesanais de diversas comunidades que dependem diretamente da baia de Guanabara, e                      que até hoje sofrem com o vazamento de 2000.
Efeitos da ação da Petrobras na Baía de Guanabara - Fonte: AHOMAR


       A Equipe da BV em dia, composta por pesquisadores e acadêmicos do Núcleo Interdisciplinar de Estudos do Espaço da Baixada Fluminense – NIESBF, núcleo de pesquisa vinculado à UERJ – Caxias é solidária a luta da AHOMAR e de todos os moradores e pescadores da região, que foram atingidos pelo vazamento de 2000 e que até hoje sofrem com o impacto causado pela atuação da PETROBRAS.

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